Em um centro de distribuição, a rede sem fio não é conforto: é o que mantém coletores, empilhadeiras conectadas e o sistema de gestão do armazém funcionando. Em agosto de 2026, uma decisão da Anatel mudou o que o Wi-Fi mais moderno pode fazer no Brasil. Para quem está planejando renovar a rede, é hora de entender o impacto — e de olhar os sinais de que a troca não pode mais esperar.
O que a Anatel decidiu sobre a faixa de 6 GHz
A faixa de 6 GHz é a grande novidade do Wi-Fi 6E e do Wi-Fi 7: um espectro limpo, sem a disputa com redes antigas que existe em 2,4 GHz e 5 GHz. Em 2020, a Anatel havia liberado os 1.200 MHz dessa faixa para uso não licenciado. Em 12 de agosto de 2026, o Conselho Diretor da agência aprovou, por unanimidade, a divisão: o Wi-Fi fica restrito à parte inferior, de 5.925 a 6.425 MHz, e a parte superior passa a ser destinada às redes móveis.

A regra passa a ser obrigatória para equipamentos Wi-Fi a partir de 1º de março de 2027. A agência justificou a medida com testes que mostraram perda relevante de desempenho quando Wi-Fi e rede celular dividem o mesmo canal. Os equipamentos já homologados não serão proibidos, mas terão de ser adaptados na renovação da certificação.
O que isso muda para uma rede corporativa
Menos canais largos em 6 GHz. Com 500 MHz, cabe um único canal de 320 MHz — o recurso mais anunciado do Wi-Fi 7. Para um centro de distribuição, porém, canal largo raramente é a prioridade: em ambientes com muitos pontos de acesso e muitos dispositivos, canais mais estreitos (20 ou 40 MHz) costumam dar mais estabilidade, e a faixa inferior ainda oferece cerca de duas dezenas deles.
O que manda é o dispositivo. Coletores, terminais de empilhadeira e impressoras portáteis costumam ficar em operação por muitos anos, e muitos ainda não trabalham em 6 GHz. Antes de pagar por Wi-Fi 7 em todo o galpão, faça o inventário de quais bandas os seus equipamentos realmente suportam.
Exija conformidade por escrito. Ao comprar pontos de acesso com 6 GHz a partir de agora, peça ao fabricante ou ao integrador a confirmação de que o equipamento atende — ou será atualizado para atender — às novas regras da Anatel.
Sinais de que a rede do CD precisa ser renovada
- Coletores que perdem conexão ao andar pelo galpão. Problemas de roaming entre pontos de acesso aparecem como bipes falhando e operadores repetindo leituras.
- Switches e pontos de acesso fora de suporte. Sem atualizações de segurança, a rede vira porta de entrada para ataques.
- Energia PoE insuficiente. Pontos de acesso mais novos consomem mais energia do que os switches antigos conseguem fornecer pelo cabo de rede.
- Uplinks de 1 Gb virando gargalo. Pontos de acesso Wi-Fi 6 e 7 já trabalham com portas multigigabit.
- Tudo na mesma rede. Coletores, câmeras, automação e computadores do escritório sem segmentação aumentam o risco e dificultam encontrar problemas.
- Ninguém sabe desenhar a rede. Sem documentação, cada mudança é um risco e cada problema demora mais para ser resolvido.
Como planejar a renovação
Um bom projeto de rede para centro de distribuição segue uma ordem simples: estudo de cobertura (site survey) considerando estantes, altura de armazenagem e materiais estocados; inventário dos dispositivos e das bandas que eles suportam; cálculo de energia PoE e de uplinks; segmentação da rede por função; e, no final, a documentação completa do que foi entregue.
Foi o que fizemos na Syl Pastilhas de Freio, onde a troca de switches e da rede sem fio da planta fabril fez parte de uma modernização completa, sem parar a produção.
Vamos olhar a rede do seu CD?
Começamos por um assessment da rede atual — cobertura, equipamentos, capacidade e riscos — e montamos um plano de renovação por etapas, dentro das novas regras da Anatel.
Fontes
- Telesíntese — Anatel restringe Wi-Fi à porção inferior dos 6 GHz a partir de 2027 (agosto de 2026): telesintese.com.br
- Teletime — Anatel limita Wi-Fi à banda inferior da faixa de 6 GHz (agosto de 2026): teletime.com.br
- Teletime — Anatel revisa regras para a faixa de 6 GHz (janeiro de 2025), sobre a decisão original de 2020: teletime.com.br
